Para o artista e coreógrafo Djam Neguin, diretor artístico e fundador do Festival Kontornu, esta 4ª edição superou as anteriores por conseguir colocar, plenamente, em prática a visão do projeto: "um festival de comunidade, de coletivo e de criação de espaço". Segundo o responsável, o Kontornu juntou artistas de diferentes partes do mundo "como uma grande família", assente em valores de humanismo, interajuda, colaboração e generosidade artística.
Djam Neguin destacou ainda o impacto do festival no fortalecimento das ligações entre artistas nacionais e estrangeiros. A presença de programadores de festivais internacionais e as sessões de pitching permitiram criar contactos diretos entre bailarinos e agentes culturais, abrindo portas para futuras oportunidades. "É um efeito multiplicador", afirmou.
O diretor artístico revelou também que o Kontornu recebeu centenas de candidaturas provenientes de vários países, entre os quais Portugal, Grécia, Senegal, Suíça, França e Itália.
A 4ª edição do Kontornu - Festival Internacional de Dança e Artes Performativas arrancou a 11 de maio, no Auditório Nacional, na cidade da Praia, com uma homenagem à bailarina e coreógrafa Marlene Monteiro Freitas, uma das figuras mais respeitadas da dança contemporânea internacional. Na noite de abertura, a Companhia de Dança Raiz di Polon apresentou uma performance que cruzou duas das suas obras emblemáticas, "CV Matrix" e "Ruínas vs Humanos". O público assistiu ainda à apresentação da Curitiba Companhia de Dança, do Brasil, com a peça "Dançando Villa".
O Kontornu reuniu cerca de 80 participantes e profissionais das artes, numa programação diversificada que incluiu residências artísticas, intercâmbio cultural e apresentações abertas ao público. Ao longo de seis dias, o festival acolheu mais de uma dezena de espetáculos de entrada gratuita, performances de rua e atividades dedicadas ao público infantil.
A programação integrou ainda trabalhos de coreógrafos e bailarinos em formato de solos e residências internacionais, envolvendo artistas de países como Portugal, Grécia, Senegal, França, Suíça e Itália.
Durante a semana, os espetáculos do Kontornu marcaram a agenda cultural da cidade da Praia, com salas cheias no Auditório Nacional, no Centro Cultural Português da Praia e no Palácio da Cultura Ildo Lobo, além de performances de rua no Plateau e vários masterclass. Apesar do balanço positivo, Djam Neguin considerou que o festival "continua a ser feito com migalhas", defendendo uma maior valorização artística e maior envolvimento das entidades públicas e privadas.
O encerramento do Kontornu aconteceu no sábado, 16 de maio, na cidade do Tarrafal, onde a câmara municipal acolheu a iniciativa. O programa incluiu três workshops orientados por Lúcia Oliveira, Diogo Vieira, conhecido artisticamente como bboy Square, e Sara Sá, cantora, apresentadora, bailarina, professora e atriz.
A programação no Tarrafal terminou com uma "Dance Battle", animada pelo DJ Marco Tavares, do Porto, que reuniu 14 participantes. O bailarino Maky Ogan, de São Vicente, conquistou a vitória no concurso.


